Autor Tópico: Pico do Petróleo vs Colapso  (Lida 2985 vezes)

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Pico do Petróleo vs Colapso
« em: 25 Junho 2010, 07:56:49 »

carlos2008
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Em 2001 o que aconteceu foi o ataque às Torres Gémeas que veio a desencadear a criminosa invasão do Iraque dois anos depois pelo criminoso Bush, que veio por sua vez a dar origem a todo este imbróglio em que nos encontramos. Os imperialismos acabam sempre mal - ou por fazer mal - venham de onde vierem.

Este tópico pretende criar uma discussão salutar em torno da citação acima mencionada pelo carlos2008. Para isso, temos de estar preparados de modo a preservar a vitalidade da nossa liberdade, para defendê-la, derrubando nada mais do que aquilo que temos nas nossas mentes e que já não é aplicável.

Tornámo-nos muito preguiçosos. A revolução do nosso pensamento está atrasada várias gerações. Não estou a falar de sangue e violência, apesar de temer que isso já esteja a ocorrer (Grécia, por exemplo), estou a falar de uma revolução que é provavelmente a mais difícil, uma que acontece no interior da alma e mente humanas. Sermos capazes de destruir e atirar tudo fora,começar com um pedaço de papel em branco e dizer:

Muito bem, como resolvemos este problema?

Ouvi dizer a um homem instruído que o tempo não é mais que o movimento do Sol.
Por que não seria antes o movimento de todos os corpos?


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Re: Pico do Petróleo vs Colapso
« Responder #1 em: 30 Junho 2010, 18:39:33 »

Todo o plástico é petróleo. A maioria das tintas, todos os pesticidas são feitos a partir do petróleo, tudo, desde as pastas de dentes às escovas de dentes, (a aspirina pode ser produzida a partir de derivados do petróleo) é feito a partir do petróleo.

Existem 26,5 litros em cada pneu de um veículo.

Não há nada, em lado nenhum, sob nenhuma combinação, que possa substituir o edifício construído pelos combustíveis fósseis.

Nada!

Pico do Petróleo

As pessoas já sentiram o que é um barril de petróleo a 147 dólares.

O pico do petróleo é essencialmente...

Vou tentar explicar de forma mais simples possível. Se souber o que é uma curva em forma de sino, que sobe e depois desce, o pico do petróleo é o ponto em que a produção de petróleo atinge o topo da curva em forma de sino e, essencialmente, o que isso quer dizer é que já se usou metade do recurso.

No caso do petróleo, ou qualquer outra substância do género, independentemente da quantidade de dinheiro que se gaste, nunca se conseguirá aumentar a produção de petróleo acima do ponto em que atingiu o pico.

Desde 2008 que a Agência Internacional Para a Energia admitiu que existe um decréscimo global de 9% na produção de petróleo, isso é o equivalente a aproximadamente 8 milhões de barris por dia.

Não existe forma, depois de termos colhido toda a fruta que estava à mão e descoberto os maiores reservatórios, de conseguiremos reverter uma taxa de decréscimo de 9%!...

Continua!...

Ouvi dizer a um homem instruído que o tempo não é mais que o movimento do Sol.
Por que não seria antes o movimento de todos os corpos?

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Re: Pico do Petróleo vs Colapso
« Responder #2 em: 01 Julho 2010, 08:11:07 »

Vou tentar desenvolver o motivo e a oportunidade para conseguir compreender o tipo de forças que impulsionam os eventos.

O pico do petróleo foi... quase como o impacto de uma faca de corte de diamantes, a pedra que fez com que tudo começasse a ressoar e a fazer sentido.

Lembrar-se-ão que quando a Administração Bush tomou posse, em Janeiro de 2001, foi criado um grupo nacional de desenvolvimento de políticas energéticas, a NPDG, e colocado sob o controlo exclusivo, privado e absoluto do vice-presidente Dick Cheney.

Os seus registos foram mantidos em segredo, as suas minutas foram mantidas em segredo, e apenas foram divulgadas sete páginas em resultado de duas acções em tribunal que mostram claramente que essa força de trabalho estava a tentar saber "Quanto petróleo é que existe? Onde está? e A quem pertence?"

Há muito tempo que eles sabiam que isto estava a chegar, sabia-se que este evento, este colapso, que este crash estava a chegar.

Quem eram? Resposta muito dificil, pois nem se sabe quem esteve envolvido!...

Continua!...

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Re: Pico do Petróleo vs Colapso
« Responder #3 em: 02 Julho 2010, 18:49:25 »

Como se obtem Petróleo?

Primeiro, quando se pensa que pode haver petróleo em determinado lugar, o que se faz é perfurar um poço de teste.

Depois, o que se tem de fazer é pegar nesse poço no centro e perfurar uma série de poços de avaliação em torno do poço central para determinar até onde se estenderá o campo de petróleo.

Não se sabe a quantidade de petróleo que se irá extrair, a que profundidade está, nem qual o tipo de petróleo.

Há muitas variedades de petróleo, muitas das quais são mais dispendiosas de refinar.

Ou seja, tudo isto tem a ver com o tempo necessário para colocar algo a produzir.

Quanta energia se obtém em comparação com a energia que se investiu?

Quando o petróleo estava a brotar do solo na Pensilvânia obtinha-se um retorno de talvez 200 para 1.

Quando é preciso ir para o mar, para águas profundas, perfurar sobre 4,5 km de água e a construção do primeiro poço custa cerca de 115 milhões de dólares. Tudo isso é energia que está a ser investida para obter energia e no momento em que se começa a gastar mais energia para tirar um barril de petróleo do solo do que aquela que ele vai produzir o melhor é esquecer!

Nos últimos 120 anos o mundo foi exaustivamente explorado, já não existem grandes depósitos por encontrar, na realidade, nenhum campo do tamanho do de Guar, o maior campo na Arábia Saudita, foi descoberto desde então.


ARÁBIA SAUDITA

A Arábia Saudita detém 25% das reservas de petróleo conhecidas do planeta.

O que leva a Arábia Saudita, que tem enormes reservas por explorar em terra, a começar a explorar petróleo no mar?

E se é 5, 10, 15 vezes mais dispendioso perfurar no mar do que em terra, isso não nos dirá que eles sabem que não têm mais petróleo por descobrir?

É axiomático que se a Arábia Saudita passou o seu pico e está em declínio todo o planeta também o passou, devido à dimensão das reservas que lá existem.


IRAQUE

O Iraque é petróleo que não só está acessível, como está bastante perto do Golfo Pérsico,
o que significa que está a pouca distância dos navios, basta montarem as condutas e conseguem colocá-lo na linha de fornecimento global, enquanto tudo o resto entra em declínio.

E os EUA só foram para o Iraque por causa do petróleo.

Muitas pessoas admitiram isso e disseram: "Qual a surpresa?!"

Onze dias após o 11 de Setembro, quando não havia provas claras que Saddam Hussein tinha tido algo a ver com o 11 de Setembro, é óbvio que não teve, foram postos em marcha os planos para invadir o Iraque.

É óbvio!

Era esse o objectivo!

Assumir o controlo desse petróleo.

Porque Saddam Hussein vinha a falar em tabelar o seu petróleo em euros deixando de o tabelar com o dólar. Os EUA entraram lá, reestruturaram tudo, e colocaram no poder um governo amigo a utilizar o dólar americano e a assegurar às empresas petrolíferas as suas, cito:
"Acesso e cota justa do petróleo iraquiano".

Os EUA não têm intenção de sair do Iraque. Nunca irão sair do Iraque (no inicio desta nova legislatura americana o governo comprometeu-se em reduzir os efectivos até ao Verão e ao invês disso aumentou!...).

Em 2004, começaram a construir as três maiores bases militares do mundo além do maior complexo de embaixadas alguma vez construído.
Construíram um complexo de embaixadas em Bagdade, que é maior do que a cidade do Vaticano.
Isso não me parece nada temporário!

Ninguém tirará esse petróleo aos EUA, estão sentados em cima dele.

Mas não existe petróleo suficiente no Iraque para alterar o quer que seja.

O Iraque terá provavelmente cerca de 90 mil milhões de barris de petróleo por extrair.

Isto parece ser muito petróleo, mas se considerarmos que em 2008 o mundo estava a consumir 85 milhões de barris por dia, isso significa que mil milhões de barris de petróleo dão apenas para cerca de 11 dias e meio, por isso não é assim tanto petróleo.

É apenas uma das coisas boas que irão chegar ao Iraque, graças ao petróleo.
Eles sabiam exactamente o que estava a chegar.

Continua!...

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Re: Pico do Petróleo vs Colapso
« Responder #4 em: 04 Julho 2010, 07:55:23 »

Caso o relatório do NPDG que foi classificado, fosse do dominio público estaríamos a construir cadafalsos para enforcar o Dick Cheney e todos os outros da Administração Bush (que tanto usou quando era apenas Governador)!...


Vamos assumir, para a discussão, que existem 600 mil milhões de barris no Árctico.
Primeiro, acontece que estão debaixo da calota polar. Isso é um problema.

Acontece que a calota polar está sobre 3 a 4,5 km de água.

O problema com a calota polar é que flutua, move-se, por isso, não se consegue construir um poço na terça-feira e esperar que este esteja no mesmo local na quinta-feira, é por isso que muitos grupos de análise conservadores e companhias petrolíferas estão a aplaudir o degelo das calotas polares.

Se houver petróleo no ANWR, não haverá mais do que o suficiente para abastecer os Estados Unidos durante cerca de 6 meses.

Não existem oleodutos ao longo de 1.600 km de tundra que está a derreter devido ao aquecimento global, o que significa que não se consegue enterrar pilares que o suportem em tundra que está a transformar-se em lama.

Não existem rotas para os petroleiros, os poços ainda não foram perfurados e no entanto, estamos a "consumir" o nosso futuro como se esse petróleo estivesse lá.

Temos de deixar de lado imediatamente estas mentiras. Só é preciso transparência para saber quanto petróleo é que ainda há, porque não se sabe.

O petróleo é uma comodidade, é um activo, pedem-se empréstimos com base no que existe no subsolo, por isso existem todos estes termos contabilísticos:
Reservas possíveis, reservas comprovadas, reservas recuperáveis, reservas verificadas, estimadas... mas as actuais reservas estimadas são segredos de estado.

Os Sauditas não ousam anunciar que já passaram o seu pico de produção de petróleo.

Porquê?

Porque têm uma população muito inquieta a quem foi vendida uma expectativa de melhor qualidade de vida, e no momento em que a Arábia Saudita admitir que passou o seu pico pode muito bem vir a ter em mãos uma revolução.
O que acontecerá se houver uma revolução na Arábia Saudita que detém 25% do petróleo conhecido do mundo?

Como será substituído esse petróleo?

Não será.

É um problema muito complexo, é uma situação muito complexa.

Ou começamos a abordar o problema ou ficaremos sem tempo, ficaremos sem petróleo dentro de alguns anos.

Continua!...

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Re: Pico do Petróleo vs Colapso
« Responder #5 em: 08 Julho 2010, 13:15:36 »

Nesta altura, poder-se-ia questionar que já nos anos 70 se falava neste assunto e que era previsivel continuar com o nosso estilo de vida, apenas por mais 30 ou 35 anos.

De facto, os anos 70 foram uma década realmente crítica.
Na década de 1970, Marion King Hubbert, o profeta original do pico do petróleo, fez as contas no final de 1949 e disse que a produção doméstica americana de petróleo iria atingir o pico em 1970.
E isso não é um feito à Nostradamus a comunicar com uma entidade, é matemática, é ciência, é simples.

Mas nos anos 70, M. King Hubbert testemunhou perante o Congresso, isto foi em 1974.

Em 1976, o presidente Jimmy Carter disse:
"Não podemos usar tanta energia como a que temos usado".

Foi quando surgiram os painéis solares (não surgiram apenas neste século como muitos pensam, devido aos benefícios fiscais introduzidos pelos Governos de alguns paises. Outros, vêm para a comunicação social dizer que as suas Universidades são pioneiras na tecnologia...), foi quando ele percebeu.

Estavam a par disso em Washington.

É claro que naquele tempo, quando a situação aparentava estar normal, quando as pessoas tinham trabalho, tinham férias, tinham cartões de crédito, tinham linhas de crédito, todos falavam de crescimento, crescimento, crescimento, comprar, comprar, comprar, gastar, consumir, consumir!...

Mas já não vivemos nesse mundo.

Continua!...

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Re: Pico do Petróleo vs Colapso
« Responder #6 em: 09 Julho 2010, 07:49:50 »
TRANSPORTES


Existem 800 milhões de veículos de combustão interna no planeta, todos trabalham a petróleo.
Em primeiro lugar, são necessários incontáveis barris de petróleo para produzir esses carros e motores, e não se consegue adicionar nenhuma nova tecnologia a um motor de combustão interna.
Com 26,5 litros de petróleo em cada pneu, não se voltará a produzir 800 milhões do quer que seja a combustão interna, porque não haverá petróleo suficiente!


O etanol é uma tremenda... piada.

ETANOL

Em primeiro lugar, houve um cientista brilhante, David Pimentel, que pegou no conceito de rendimento energético, a quantidade de energia investida versus a que se obtém em troca, e ele concluiu, penso que há cerca de uma década, que é necessária mais energia para produzir etanol do que aquela que se produz ao queimá-lo, o que é uma completa estupidez.

Porque se usam máquinas movidas a petróleo, etc., irriga-se, usam-se fertilizantes, queima-se todo esse petróleo e gás natural para cultivá-lo. Depois gera-se vapor, que é mais energia de hidrocarbonetos, adicionam-se mais químicos e obtém-se etanol que pode ser usado num carro.

A Administração Bush anunciou um objectivo de ter 15% de todo o combustível dos Estados Unidos feito de etanol, julgo que por volta do ano de 2015. Só que se esqueceram de dizer que para fazer isso seria necessário usar toda a terra arável para cultivar milho.


AREIAS BETUMINOSAS CANADIANAS

As areias betuminosas canadianas não são petróleo.
É uma substância extremamente densa, peganhosa e nojenta, que está misturada com areia em camadas a 60, 90, 120, 150 metros de profundidade, isto é em Alberta. E eles extraem-nas rasgando literalmente do solo, milhares de toneladas por dia.
Colocam-nas em enormes camiões movidos a petróleo que as transportam para um sítio onde as areias são lavadas.
Retiram milhões e milhões de litros de água fresca, que corria um pouco por todo o lado, e fervem-na queimando gás natural!
Não existe a mínima hipótese de a produção de areias betuminosas canadianas vir a exceder os 3/3,5 milhões de barris por dia.


HIDROGÉNIO E ELECTRICIDADE


A primeira coisa que a mente ignorante que está em negação diz, é:
"Então e o hidrogénio? Não podemos produzir carros a hidrogénio e/ou carros eléctricos?"

E tenho de voltar a lembrar que existem 26,5 litros de petróleo em cada pneu, que estão milhares de litros de petróleo em cada carro, e nos plásticos, nas tintas, nas resinas, em tudo! Tudo isso é feito com petróleo, o petróleo é usado para construir o carro, para o transportar, para aquecer os metais, etc.

Nunca irão existir 800 milhões de veículos movidos a electricidade e a electricidade não é uma fonte de energia, a electricidade é gerada queimando ou usando outra forma de energia.


ELECTRICIDADE

É óbvio que a electricidade é a chave da civilização industrial, porque fornece energia à nossa refrigeração, põe a funcionar as bombas de água que todos os dias bombeiam água, permite-nos comunicar electronicamente, recarregar as baterias dos nossos telemóveis, preservar os alimentos, fazer funcionar salas de operações, etc.


Continua!...

« Última modificação: 19 Julho 2010, 17:13:36 por JRibeiro »
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Re: Pico do Petróleo vs Colapso
« Responder #7 em: 19 Julho 2010, 17:22:21 »

O assunto das energias alternativas!...



CARVÃO LIMPO

O carvão limpo é algo que não existe e nunca irá existir!

Porquê?

A captura do carbono é imensamente dispendiosa. Basicamente, é o seguinte:
ao capturar-se o CO2 (dióxido de carbono) e todos os outros gases de efeito de estufa emitidos na queima do carvão, usam-se enormes quantidades de energia para os comprimir, depois transportam-se os gases comprimidos até áreas remotas e bombeiam-se para um tipo de câmara hermética no solo, onde alguém com a tecnologia adequada irá saber o que fazer com esses gases daqui a 10 ou 15 mil anos.


NUCLEAR

O processamento nuclear requer entre 10 a 13 anos de incubação para se obter a licença e o cumprimento de todos os regulamentos. E a construção de centrais nucleares é um dos processos mais intensivos de consumo de energia do mundo. O aço, o contentor de chumbo, o enriquecimento do urânio é um processo horrivelmente intensivo, não dá para lançar uma rocha de urânio e começar a gerar energia nuclear, isso não é possível!


ENERGIA DAS MARÉS

O primeiro e mais óbvio problema com a energia das marés é que tem de ser gerada ou recolhida perto das linhas costeiras.
A água salgada é extremamente corrosiva, há um enorme custo energético na construção das máquinas.



Existem apenas duas energias alternativas que podem realmente ter um impacto imediato, um benefício imediato:

SOLAR e EÓLICA

O problema de centrais com enormes complexos eólicos... é que a lei fundamental da electricidade diz que esta tem de produzida no local onde irá ser usada.
É possível transmitir electricidade ao longo de enormes distâncias mas as pessoas não pensam na energia que é gasta nos transformadores, na quantidade de cobre existente nos cabos eléctricos e em toda a manutenção que essa rede necessita.

Por isso, quando se vêem anúncios ridículos que dizem que podíamos ter uma estrutura de painéis solares a 150 km de distância, no deserto por exemplo, nem sequer pensam que essa energia vai ser primeiro usada nesse local antes de chegar a qualquer outro lugar (cidade, vila, aldeia!...).

Continua!...

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Re: Pico do Petróleo vs Colapso
« Responder #8 em: 20 Julho 2010, 13:18:50 »
ALIMENTOS

O solo é o lugar de onde todas as plantas obtêm os seus nutrientes e se continuarmos a absorver continuamente os nutrientes, o solo  torna-se imprestável.

Ao longo da História, a forma como o solo era recuperado, em que os nutrientes eram de certa forma devolvidos ao solo, era permitindo a decomposição e a compostagem da matéria vegetal, para reabastecer o solo. É por isso que a rotação das colheitas é tão importante.
Podemos ter uma colheita de aipo que irá absorver determinados químicos do solo, outra colheita de trigo ou outra qualquer, poderá devolver esses mesmos químicos ao solo, e assim, o solo mantém um equilíbrio.

É de certa forma entristecedor, porque enquanto espécie, desligámo-nos da terra, não temos nenhum contacto real com a terra, não temos nenhuma ideia das suas funções, do seu sentir, da sua natureza, das suas estações, dos seus ritmos [li algures que num inquérito de rua, quando os transeuntes eram questionados sobre se sabiam de onde provinham os alimentos que eles utilizam nas refeições, uma larga maioria respondeu que era do supermercado!...].

Em primeiro lugar, hoje em dia o solo em que os alimentos são cultivados não passa de uma esponja sobre a qual despejamos químicos que obtemos do petróleo e do gás natural. E sem esses químicos, uma vez que o solo foi transformado num viciado, o solo não tem qualquer valor.
Ou seja, quando agora se semeia uma colheita, o que acontece é que se conduz uma máquina movida a petróleo que vai avançando e arando a terra. Depois conduz-se outra máquina movida a petróleo que vai avançando e semeando. E depois irriga-se.

E como é que se faz isso?

Bem, essa água é bombeada por bombas que funcionam a electricidade.

E de onde provém essa electricidade?

Ou vem do carvão ou do gás natural.

Então, o passo seguinte é fertilizá-la.

Todos os fertilizantes comerciais são feitos a partir de amoníaco e o alimento para o amoníaco é o gás natural. Então, temos fertilizantes de nitrato de amoníaco que são depois pulverizados por outro veículo movido a petróleo. A seguir, vêm os pulverizadores que são movidos a petróleo, que pulverizam pesticidas que são todos feitos com petróleo!

Depois, quando chega a altura da colheita, o que é que se faz?

Conduz-se outra máquina movida a petróleo e colhe-se. Utiliza-se outra máquina movida a petróleo para transportar a colheita para um lugar onde é processada. Depois embrulha-se em plástico, que é petróleo, coloca-se noutra máquina movida a petróleo e transporta-se X quilómetros até um armazém de distribuição de alimentos, onde outra máquina movida a petróleo a transporta até ao supermercado.

A forma como hoje em dia os alimentos são cultivados, produzidos e transportados à volta do mundo é um enorme desperdício de energia de hidrocarbonetos, o que não faz sentido.

Porque temos morangos do Chile?

Porque temos espinafres da China?

Porque enviamos anchovas para o outro lado do mundo para serem enlatadas?

Existem 10 calorias de energia de hidrocarbonetos em cada caloria de comida consumida no mundo industrializado.

Continua!...

« Última modificação: 20 Julho 2010, 13:22:15 por JRibeiro »
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Re: Pico do Petróleo vs Colapso
« Responder #9 em: 22 Julho 2010, 08:20:23 »
O problema que vem a seguir ao colapso económico que está para vir, não será comparável a nada que já tenhamos visto antes.

Como o puderemos suavizar?

Eis algumas sugestões:

Livrem-se imediatamente da dívida ou reduzam-na ao mínimo possível.

Verifiquem atentamente as vossas hipotecas.

Recusem todo o tipo de financiamento e de cartões de créditos onerosos.

Comprem ouro (Salazar foi considerado pela agência Blomberg, o melhor investidor Português de todos os tempos!...)


Quantas pessoas sabem que estão a criar fundos de dívida apoiada por hipoteca, que são como fundos de investimento onde só se transaccionam hipotecas?

Empresas como a Enron (Ver lista em Responder #38: http://www.pedropais.com/forum/index.php/topic,1742.36.html) eram consideradas de topo ainda não há muito tempo e entraram em colapso!...

Continua!...

« Última modificação: 24 Julho 2010, 08:22:07 por JRibeiro »
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Re: Pico do Petróleo vs Colapso
« Responder #10 em: 23 Julho 2010, 18:54:00 »

Houve um grande pensador prussiano (hoje, faz parte da Alemanha) que disse que a guerra é uma extensão da política por outros meios. A política é uma extensão da economia por outros meios.

Para conseguirmos compreender toda esta bagunça, precisamos de compreender um termo, que é um palavrão financeiro mas que é bastante simples de compreender: o derivativo (ou derivado).

Um derivativo é qualquer instrumento financeiro que derive do valor inerente de algo que seja tangível. Por outras palavras, uma maçaroca de milho tem valor, um barril de petróleo tem valor.
Se tiver uma casa e uma hipoteca isso é tudo muito bonito, mas quando começa a contrair dívidas com base na hipoteca, a acumular dívida, isso chama-se um derivativo (ou derivado).

Desde o início do colapso, que podemos fixar no início de Setembro de 2008, havia derivativos com um valor nocional, ou seja, se somássemos todos os papéis estes valeriam 700 biliões de dólares. Por outras palavras, se fossem todos reclamados em simultâneo precisavam de ter 700 biliões em dinheiro vivo, e como é óbvio, não existe essa quantidade dinheiro.
Por isso, todos estes fundos, derivativos e opções financeiras (produtos complexos), tudo isso são derivativos, tal como tudo o resto que fazem.
Tudo o que lhes interessava era obter o pagamento mínimo mensal da conta do cartão de crédito, por outras palavras, para facultarem os 700 biliões de dólares de derivativos com valor nocional, tinham de pagar todos os meses uma certa quantidade de dinheiro e Deus nos ajude se todos fossem reclamados.
O que está a suceder com todas estas operações de salvamento, à banca e aos grandes grupos económicos, é que estão a perseguir uma bolha de derivativos no valor de 700 biliões de dólares que se esfumou!...

Continua (11)!...

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Re: Pico do Petróleo vs Colapso
« Responder #11 em: 16 Agosto 2010, 18:06:20 »

DINHEIRO

As pessoas que administraram o paradigma monetário, o paradigma económico, desde que o dinheiro foi inventado, quiseram mistificá-lo e fazer crer a todos que apenas um especialista conseguiria entender as tretas do sacerdócio do dinheiro.

Há apenas três coisas que uma pessoa precisa de saber sobre como funciona hoje o dinheiro por todo o mundo.


1- A moeda fiduciária

O que é o dinheiro?

MOEDA FIDUCIÁRIA (dicionário: papel-moeda, notas de banco. Que depende da confiança; que revela confiança)

Se retirar uma nota da minha carteira, abro a minha carteira e retiro uma nota.

São 20€!

Uau!

Posso comê-la?

Posso enrolá-la e mastigá-la?

Obtenho dela calorias e vitaminas?

Não, não obtenho!

Posso amachucá-la e atirá-la para o depósito do meu carro?

Será que o carro andará?

Não, talvez entupa os injectores.

Isto é apenas um símbolo!

Isto não é nada, é fiduciária, é criada do ar porque alguém ligou uma impressora, é só isso!

Antes do grande crescimento populacional, que aconteceu com o advento do petróleo, chegou também esta revolução no sistema monetário.
Houve uma época em que a libra esterlina significava mesmo uma libra esterlina de prata.
O dinheiro equivalia à quantidade de prata extraída do solo, era tangível, não se podia imprimir a prata, era algo real.

Não pode imprimir mais dinheiro do que a energia que existe para o sustentar. É assim tão simples. Portanto, temos a moeda fiduciária.

Continua (12)!...

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Re: Pico do Petróleo vs Colapso
« Responder #12 em: 22 Agosto 2010, 08:57:08 »

Depois temos algo chamado "sistema de reservas mínimas".


2- SISTEMA DE RESERVAS MÍNIMAS

Se me trouxerem um depósito de 10 euros, eu posso fazer um empréstimo no valor de 90 euros baseado apenas no facto de ter esses 10 euros na minha gaveta, porque é tudo calculado no pressuposto de que não virão todos levantar o dinheiro em simultâneo, aquilo a que se chama "corrida ao banco".

Então, calcularam as probabilidades, tal como os criadores de probabilidades de Las Vegas, e disseram:
"Muito bem, as probabilidades são diminutas sob condições normais".
Quando agora empresto um total de 100 euros, baseados naquele depósito de 10 euros, é mais dinheiro que crio do ar.
E isso significa que para conseguir pagar, quem recebe esse dinheiro tem de gerar ainda mais dinheiro para alimentar o circuito, para conseguir pagar aos bancos, para que os bancos possam criar ainda mais dinheiro!...

Continua (13)!...

Ouvi dizer a um homem instruído que o tempo não é mais que o movimento do Sol.
Por que não seria antes o movimento de todos os corpos?

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Re: Pico do Petróleo vs Colapso
« Responder #13 em: 01 Setembro 2010, 22:57:43 »
Vces já pensaram na hipotese do petroleo ser um bem não finito? quantos poços de petróleo conhecem que tenha sido extinto? pelo contrário cada vez se extrai mais, a quem interessa que as pessoas pensem que o petróleo é um bem escasso? ás petroliferas evidentemente.
Se fizerem uma pesquisa sobre este assunto talvez se surpreendam, as teses que defendem esta filosofia são bastante crediveis.
Cumprimentos
reis

Offline JRibeiro

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Re: Pico do Petróleo vs Colapso
« Responder #14 em: 02 Setembro 2010, 18:48:12 »
Vces já pensaram na hipotese do petroleo ser um bem não finito?

quantos poços de petróleo conhecem que tenha sido extinto?

pelo contrário cada vez se extrai mais, a quem interessa que as pessoas pensem que o petróleo é um bem escasso? ás petroliferas evidentemente.

Se fizerem uma pesquisa sobre este assunto talvez se surpreendam, as teses que defendem esta filosofia são bastante crediveis.


Os hidrocarbonetos são os produtos comerciais de maior consumo no planeta Terra. Nos finais da década de 1960-1970 o consumo mundial era de 2,5 biliões de toneladas por ano e nos últimos 20 anos houve um aumento anual de 10 %.

Actualmente, os derivados do petróleo, correspondem a cerca de 50 % do global dos produtos do mercado mundial. As gasolinas, o gasóleo, o petróleo de iluminação (querosene) e o fuel-óleo equivalem a 80 % da energia consumida nas actividades industriais, de transportes, de lazer e de conforto do Homem.

E nos Plásticos?
Estes abrangem uma extensa gama de materiais fabricados pelo homem a partir de dois elementos, o carbono e o hidrogénio, provenientes do petróleo bruto. O etano (dois átomos de carbono e seis de hidrogénio) é um gás que pode ser convertido no etileno (ou eteno), que depois de polimerizado origina o polietileno. De forma semelhante, o gás propano transforma-se em polipropileno. Estes dois plásticos, o polietileno e o polipropileno, são usados para fabricar centenas de artigos.

Adicionando-se-lhes outros elementos ou produtos químicos, os plásticos adquirem propriedades especiais, como maior rigidez, resistência ao calor, poder deslizante e flexibilidade.

Se retirássemos das nossas casas tudo aquilo que contém plástico, o que restaria?

O comércio do petróleo e derivados é controlado por um pequeno número de gigantescas empresas que dirigem toda a cadeia de produção, de tratamento e de transporte, desde o poço até ao consumidor.

O petróleo faz parte dos recursos naturais extraídos da Terra, para benefício do Homem. À escala temporal do Homem (cerca de 1 milhão de anos desde a sua origem; 70 anos, em média, por geração), terá que ser considerado um recurso não renovável, na medida em que os processos geológicos envolvidos na sua formação levam, pelo menos, 10 milhões de anos, sendo a maioria do petróleo bastante mais antigo (60 e até 150 milhões de anos).

Observação 1
: Os combustíveis fósseis resultam de um processo muito lento de decomposição das plantas e dos animais, ou seja, da matéria orgânica. Este processo de transformação durou milhões de anos e originou o carvão, o petróleo e o gás natural. É devido a este longo período de tempo necessário à sua formação que dizemos que os combustíveis fósseis não são renováveis: uma vez gastos, a humanidade não disporá deles tão cedo.

Observação 2:
A mesma ideia pode ser apontada ao Sol. É uma fonte de energia inesgotável atendendo a que a sua estimativa de vida seja de 5 mil milhões de anos. No entanto, sabemos que não é assim. O Sol vai-se esgotar (não se renova), só que não é para já. E em aproximação diz-se que é inesgotável!...

A partir do actual conhecimento, podemos elaborar estimativas sobre as reservas petrolíferas totais disponíveis em todo o planeta. As reservas petrolíferas são as quantidades de petróleo que podem ser extraídas dentro de determinada economia e dos conhecimentos tecnológicos que caracterizam a comunidade, num certo período. Os diversos níveis de confiança que caracterizam as reservas dependem do maior grau de avanço do estudo geológico.
De acordo com o actual ritmo de exploração petrolífera estima-se que as reservas existentes serão esgotadas nos próximos 40 anos, isto é, até ao ano 2050.

Note-se que a exploração do petróleo começou à cerca de 150 anos. E na altura não havia tanto desenvolvimento tecnológico como há hoje, ou seja, a tendência é para cada vez mais se usar mais o Petróleo e seus derivados. Assim, a afirmação "...pelo contrário cada vez se extrai mais,...", justifica-se com o desenvolvimento da tecnologia na actualidade!...

Assim sendo, há que estudar intensamente, o que tem vindo a ser feito, as fontes de energia alternativa (vento, sol), bem como as tecnologias economicamente capazes de as utilizar, como já foi referido anteriormente neste tópico!...

Observação final: O impacto dos combustíveis fósseis no ambiente é prejudicial. A sua queima origina produtos de combustão, que poluem o ar a nível local e regional, entre os quais o dióxido de carbono, que contribui para o efeito de estufa a nível global, o qual está na origem das alterações climáticas. A sua prospecção e transporte têm também impactes negativos no ambiente.


Será que as petroliferas se preocupam com o meio ambiente e as alterações climáticas?
Que valor investem na prevenção de desastres como o ocorrido no Golfo?
Que plano de acção têm, para prevenir estas situações?

Segundo parece, estão "satisfeitos" com o degelo nos polos para assim irem lá explorar a zona e relativamente à prevenção e planos de acção, fazem "copy" dos planos elaborados há décadas atrás e como tal desactualizados para a actual realidade!...

« Última modificação: 02 Setembro 2010, 19:09:22 por JRibeiro »
Ouvi dizer a um homem instruído que o tempo não é mais que o movimento do Sol.
Por que não seria antes o movimento de todos os corpos?

Offline semprempé

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Re: Pico do Petróleo vs Colapso
« Responder #15 em: 04 Setembro 2010, 14:00:56 »
Apesar de não estar provado que o petróleo não é um bem escasso, o seu contrário também não.!!!

É  bastante pertinente, e vale a pena pensar um pouco....

Podem ver este artigo, e outros relacionados: ruimacdonald.com/wordpress/?p=5063

Digitar no Google: Qual crise energética?

Offline JRibeiro

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Re: Pico do Petróleo vs Colapso
« Responder #16 em: 07 Setembro 2010, 18:32:30 »
Apesar de não estar provado que o petróleo não é um bem escasso, o seu contrário também não.!!!

É  bastante pertinente, e vale a pena pensar um pouco....

Podem ver este artigo, e outros relacionados: ruimacdonald.com/wordpress/?p=5063

Digitar no Google: Qual crise energética?


E quais são os factos que sustentam o seu contrário?

Por aquilo que li, trata-se de uma brasileirada teórica muito pouco factual. Admira-me que a indústria ligada ao Petróleo que no passado tenha "silenciado" tantos cientistas incómodos, deixe passar o autor desta teoria (entre muitas outras),
Citar
Digitar no Google: Qual crise energética?
incolume!...  :-X

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Offline semprempé

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Re: Pico do Petróleo vs Colapso
« Responder #17 em: 08 Setembro 2010, 17:41:00 »
Eu não sou um acérrimo defensor de que o petróleo é um bem que se renova, também não estou convencido da teoria do Sr.Mikhailo Lomonossov que em 1757 Sec. XVIII, afirmou que o petróleo era formado pela decomposição de animais e plantas e passado milhoes de anos dá origem ao petroleo. Já foi criado em laboratório petróleo Abiótico e gáz natural atravez de minerais, portanto sem qualquer relação com matéria organica. está provada a existencia de petróleo a grandes profundidades 20 Km e mais. A matéria organica não chega a estas profundidades em condições de ter uma decomposição tranquila sem ser imediatamente queimada.
Existem inumeras questões que me suscitam dúvidas sobre a teoria do Sr. Mikhailo, e vou continuar atento porque acho que devagar iremos tendo mais dados. :)

 

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